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A emoção dos outros te incomoda?

 

Tenho atendido diversos pacientes nos últimos tempos que são verdadeiros analistas de comportamento e expressão corporal, só que ainda não sabiam disto.

Isto em geral ocorre, pois quando pequenos vivenciamos situações de desarmonias, desentendimentos na família, brigas ou mesmo de pessoas que passam situações de doença ou até de mortes de pessoas próximas, e como somos crianças, estamos desprotegidos frente a estas situações, sem entender ao certo o que está ocorrendo, pois em geral os adultos não compartilham com as crianças as reais causas das situações que estão ocorrendo. Desta forma ficamos sem compreender ao certo o motivo deste perigo eminente em nossa volta. 

Se um perigo ocorreu, fomos pegos de surpresa e ainda por cima não sabemos o motivo, nosso cérebro liga um alerta para tentarmos não passar novamente por aquela situação. Como fazemos isto? Simples, gravamos a expressão corporal que nossos próximos estavam apresentando naquele momento, para que na mínima expressão parecida que eles utilizem novamente, já possamos ligar o alerta para tentar evitar que o perigo se repita.

Mas então isto é bom? Você pode me perguntar. Sim, para muitos casos, quando conseguimos ler a expressão corporal de uma outra pessoa podemos lidar de uma maneira mais rápida e eficaz para poder ajuda-la, ou evitar um conflito maior. Por exemplo, se eu percebo um filho com expressão de início de uma doença, pois ele está cabisbaixo, meio pálido, posso antecipar algo pior e tratar deste problema antes que se torne algo mais grave, ou quando percebo que uma pessoa está se afastando de mim, que não conversa direito e ainda expressa que quer fugir da conversa sempre que me aproximo, poderei tentar conversar se algo está acontecendo no relacionamento, se há alguma mágoa ou um mal entendido, para que possa resolver a desarmonia, antes que ocorra uma ruptura. 

Mas no caso dos meus pacientes não funcionava bem assim. Como eles não sabiam que eram bons analistas, não sabiam usar a favor estas informações, de forma que ao perceberem que seu parceiro(a) estava um pouco bravo(a), ligavam um alerta, lembrando inconsciente de quando seu pai chegava bravo em casa e discutia com sua mãe, ou mesmo quando este(a) parceiro(a) chegou em outro momento bravo(a) e discutiu consigo e desta forma ficavam bravos também, esperando uma crítica ou um ataque vindo do outro lado, por mais que o(a) parceiro(a), estava apenas com um problema profissional e não queria contar para não incomodar, mas a partir do momento que os dois estão armados, ocorre uma propensão maior a ocorrerem briguinhas, que acabam mostrando para seu cérebro que realmente você estava certo em antecipar, mas lembrando daquele ditado “quando um não quer, dois não brigam”, se você não fica armado, apenas peça se a outra pessoa quer ajuda em algo, se ela quer falar sobre o que está sentindo, se ela não quiser, tudo bem também, pois por mais que os outros na sua volta não estejam bem, você ainda pode estar bem. Quanto mais pessoas ficarem irritadas em um mesmo local, maior é a propensão de conflitos. Mas como lá na infância, o problema estava em não compreender o motivo do que estava acontecendo, muitas vezes acreditamos que precisamos saber de tudo o que acontece ao nosso redor, mas exatamente é este um dos detalhes principais: não precisamos saber de tudo, pois quando queremos saber e os outros não nos contam, começamos a imaginar, e ao imaginar, criamos fantasias irreais em nossa cabeça, que não procedem com a situação. Mas se ao invés disto ficarmos tranquilos, a poeira pode baixar em poucos minutos, e evitamos assim dias, de um emburrado com o outro. 

Isto faz sentido para você? Quanto você se altera no fato dos outros a sua volta estarem diferentes? 

 

Dr. Ivan Bonaldo

Crefito 8/99696-F

Idealizador do Congresso Internacional das Leis Biológicas

 

http://www.leisbiologicas.com