Thumbnail

É bom para mim não estar bem!!!

Quando você vê este título do artigo, você lembra de alguém? 

Para nos libertar de nossos sintomas, o primeiro passo é querer melhorar, assim teremos vontade e energia para enfrentar os obstáculos que impedem nossa progressão no tratamento, conseguiremos ter força para buscar técnicas alternativas que existem hoje na área de saúde que façam realmente a diferença e possamos melhorar e ficar bem, pois quando não estamos com disposição de melhorar, não há qualquer pessoa que possa promover esta melhora.
Já vivenciei várias histórias onde a melhora não é tão boa e nem lucrativa assim. Quando comecei meus atendimentos em Londrina, uma das minhas primeiras pacientes, quando começou a apresentar melhoras, parou de fazer as sessões, de início ela queria que eu fornecesse um atestado de invalidez a ela, onde culpava a empresa onde ela trabalhava anteriormente, uma telefonia, por movimentos repetitivos, para que ela pudesse se aposentar por invalidez e ainda processar a empresa, ela tinha em torno de 27 anos de idade. Neste momento a melhora física não era a prioridade, pois assim ela não ganharia aquele dinheiro que almejava e ainda teria que voltar a trabalhar. Este é um dos casos clássicos de ser melhor sofrer por uma dor, verdadeira ou não, do que ter uma vida normal.
Mas isto não é só algo vinculado aos adultos, existem muitas crianças que têm ganhos significativos ao se machucarem, ao ficarem chorando o tempo todo, ou ainda, ao sentirem dores, não que a dor não seja verdadeira em alguns casos, mas o corpo entrou em um processo de tal forma já organizado, que como funcionou de uma primeira vez, o corpo tende a repetir o processo, para que eu ganhe novamente o meu objetivo. Como ocorre alguns momentos onde a criança começa a chorar no meio de muita gente em reunião de família ou no supermercado, por exemplo, e os pais tendem a ceder, para evitar olhares, assim a criança acaba muitas vezes repetindo este padrão, enquanto consegue ganhar, criando um hábito negativo. Ou mesmo aquelas crianças que acabam tendo dor na barriga quando querem muito algo e quando não ganham, um brinquedo, por exemplo, permanecem neste sintoma e os pais por terem dó acabam dando o brinquedo, seja para evitar a dor dela ou as brigas que podem vir por consequência. Claro que nem sempre é fácil impor os limites de forma adequada, pois nem sempre são os pais que cuidam da criança, que às vezes tem que ser deixados com babás ou com avós, que não querem se estressar e fornecem a eles tudo o que querem, tornando o trabalho cada vez mais árduo aos pais. O ideal nestes casos é o diálogo, colocando todos os pontos do processo, até onde vai o direito e o dever, até onde é possível ou não as situações. Se ainda assim não funcionar a terapia é a melhor saída, para que ao chegar na adolescência, a criança não se torne um adolescente ou adulto frustrado por qualquer coisa que não saia do seu jeito.
E quando os sintomas me permitem ter a atenção dos outros? A busca de atenção através de dor, choro ou tristeza, não é algo exclusivo das crianças. Adultos e idosos também trazem sintomas ou reações buscando ter sua atenção, um carinho, um cafuné. Já ouvi muitas histórias de adultos correrem para seu canto, emburrados, esperando que os outros vão atrás e consolem, deem um carinho, ou mesmo cedam ao que eles queriam, pois desta forma se eles ficarem bravos, as pessoas ao seu redor, para evitarem brigas, irão acabar cedendo ao que a pessoa quer, mas os relacionamentos acabam se desgastando com tanta chantagem. No caso dos idosos, pode ocorrer da mesma forma, onde uma mãe ou pai deixa de ligar para os filhos, pois está com uma birra esperando que o filho venha atrás, como se fosse uma disputa de quem cede primeiro, mas tudo com uma intenção de demonstrar que não está bem, para que consiga ganhar uma discussão ou para conseguir o que quer.
E ainda há aqueles casos onde a solidão causa doenças, e neste caso, estar doente, traz as pessoas para perto de si, reclamar dos sintomas permite com que os outros se preocupem mais, os filhos ligam mais vezes, e até fiquem com dó, impedindo com que a pessoa faça as coisas como antes, traz mais visitas e o dia passa mais rápido. Então, se quando a pessoa está bem, se sente deixada(o) de lado, melhor mesmo é estar com algo, pois assim terá todos a sua volta.
Os benefícios das dores são imensos, e independem da idade, mas quando identificados, permitem a pessoa se auto entender e sair do processo, caso ela queira, e ter assim uma vida mais autônoma. Nem sempre a pessoa entra nestes processos por desejo próprio, às vezes já é uma questão estruturada dentro do seu inconsciente e para ela sair, somente com auxílio de profissionais que possam fazer ela ver o outro lado da coisa, que estar bem possa ser ainda melhor do que estar doente ou emocionalmente em conflito.

Dr. Ivan Bonaldo
Crefito 8/99696-F
Idealizador do Congresso Internacional das Leis Biológicas
htttp://www.leisbiologicas.com