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Sofrimento antecipativo também causa traumas

 

Muitos pacientes chegam até o consultório relatando que acreditam que viveram bem poucos traumas ou até nenhum trauma durante a vida, a acabam no final da sessão ficando espantados por quantos traumas seus corpos armazenaram nesses anos.
Temos a crença que o trauma para desencadear um sintoma tem que ser uma verdadeira tragédia, uma bomba explodir e fazer com que se perda tudo, uma chacina que faça com que morram várias pessoas da sua família, ou estar no World Trade Center em meio a ele estar caindo no 11 de setembro. Claro que estou exagerando um pouco, mas o que quero dizer é que o trauma não precisa ser tão intenso para desencadear um sintoma.
Em geral muitas de nossas reações são reflexos de situações traumáticas já vividas no passado, por exemplo, para alguns homens e mulheres, o simples fato de o marido ou a esposa, sair para viajar sem ele(a) para um curso, remete a um sofrer por antecipação, uma angústia desmedida, com um pensamento quase certo de que lá irá ocorrer uma traição. Durante aqueles dias o sono não aparece, a pessoa fica remoendo o dia todo as possibilidades do que o outro está fazendo naquele instante, falta o apetite, a pessoa fica tensa e etc., isto tudo representa a fase de estresse, ou seja, um trauma imaginário. A pessoa está em meio a um trauma, que não é real, mas que vem sendo produzido pela sua cabeça, sem controle, por consequência gerando uma disfunção ao corpo. Claro que isto é um reflexo de situações já vividas anteriormente, como um caso de uma traição vivida na adolescência ou começo da vida adulta, ou um pai ou uma mãe que se afastam por trabalho ou se separam, durante a infância. É como se o cérebro quisesse antecipar um perigo que possa se repetir, fazendo com que a pessoa fique em estado de alerta a uma nova possibilidade do fato ocorrer, por mais que não seja a mesma pessoa e situação. Mas isto pode se repetir por inúmeras vezes, até que a pessoa consiga realmente resolver a situação pendente do passado.
Tem ainda aquelas pessoas que na infância tiveram que se submeter a mudanças ou mesmo a um pai ou mãe, que em um determinado momento o forçou a realizar algo que ele não queria e lhe causou grande frustração, então, posteriormente, cada vez que tenha que se submeter a algo que não quer fica mais irritado, ou age de forma a ser do contra às situações que fogem do seu cronograma, como no caso de uma reunião que não acontece na hora esperada, ou uma consulta que atrasa, ou mesmo um convite para um passeio de última hora. Este tipo de conflito também pode ocorrer de forma imaginária, no qual eu deduzo que alguém irá me confrontar em uma reunião e então já chego irritado, ou imagino que minha esposa irá me criticar por algo que fiz, ou que meu esposo irá brigar comigo pois fiz um arranhão no carro, ou que meu chefe irá me demitir por um erro que cometi, por mais que nada disto ocorra, o sofrimento antecipativo já nos deixa em fase de estresse permanente, até que o assunto se resolva.
Quando consideramos as vivências como reais ou imaginárias, podemos dizer que ambas podem afetar nosso organismo de mesma forma. Lembrando que para que tenhamos um sofrimento imaginário, um sofrer por antecipação, em geral temos que ter vivido algo real anteriormente, ou pelo menos tenha sido embutido em nós uma crença errada sobre o assunto, como no caso de um medo de traição, em algum momento a pessoa tem que ter sido traída ou deixada por alguém que ela amava, ou que alguém tenha falado na infância que em homem não se pode confiar, que eles sempre traem. O medo de perder é reativado por uma perda prévia, ou o medo de falência, por uma real falta de dinheiro em algum momento em sua vida, ou mesmo na vida de algum antepassado. Por isto que o sofrimento real, nos afeta de forma imprevisível, como algo que chega de repente sem sinal antecipado, nos pegando de sobressalto, enquanto a imaginação nos consome por horas, dias ou meses, pensando em algo que talvez não condiga com o que está acontecendo, mas nos deixa alerta, inseguros e preocupados. É como se nosso corpo quisesse que evitássemos ser pegos de surpresa com algo, que possa nos dar um choque tão grande, que poderia abalar nossas estruturas intensamente, assim ele faz com que imaginemos uma possível circunstância, que gera aquela temível frase “eu já sabia” que isto iria acontecer, fazendo assim o choque não ser tão intenso, mas ao mesmo tempo o período que passei sofrendo por antecipação, me impossibilitou de fazer outras coisas, além de que o sofrer pode ter sido em vão, pois nada pode ter ocorrido.
Quando temos o equilíbrio emocional para lidar com as situações que já passaram, tendemos a estar mais tranquilos quantos as situações que possam vir, sem tanta necessidade de sofrer por antecipação e de ficar armado perante a todo e qualquer perigo que possa vir a ocorrer. Será que você vive as situações de forma real ou já está imaginando os perigos do futuro?
Quer saber mais sobre como o pensamento negativo afeta o nosso corpo causando os sintomas? Então acesse este link e confira: http://bit.ly/2DLRAbC

Dr. Ivan Bonaldo
Crefito 8/99696-F
Idealizador do Congresso Internacional das Leis Biológicas
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