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O que você é obrigado a engolir?

 

                Neste segundo artigo da série falando sobre conflitos relacionados a dificuldades alimentares, falarei sobre as frustrações relacionadas a situações onde devo engolir ou sou forçado a engolir algo que eu gostaria de cuspir ou não gostaria de engolir. Isto afeta a região de dois terços superior do esôfago, onde há incômodos dolorosos e espasmos, que poderão auxiliar para que o objeto engolido seja mais facilmente levado para o estômago, ou pode ser uma contração em direção superior, para facilitar jogar para fora o que foi engolido. Um sinal clássico de alteração neste local, são aquelas “coceiras no fundo da garganta”.

                Desta forma, quando vamos nos alimentar e aquele alimento não nos agrada, mas ele é colocado goela abaixo, como no caso de uma criança que é forçada a engolir um medicamento, ou é forçada a comer aquele alimento, que é saudável, mas que ela não quer, ou naquele momento não está com fome, ela pode provocar esta contração involuntária do esôfago, não conseguindo engolir, e piora ainda quando, o adulto coloca a mão na boca da criança, impedindo de tirar da boca aquele alimento. Ou ainda pode ocorrer naquelas situações onde um adulto possa ter que engolir um alimento para agradar uma outra pessoa, mas vê naquele alimento, algo desagradável que não quer engolir.

                Mas claro que este contexto pode não apenas ser vivido de forma real, onde se é forçado a engolir algo físico, como alimento, medicamento ou qualquer outro objeto ou substância, mas também pode ser vivido de forma emocional. Quando vivenciamos uma forte situação de ter que engolir, aceitar uma situação, uma palavra dita por alguém, uma viagem, um trabalho, um estudo, ou seja, toda e qualquer coisa vista como uma obrigação, no contexto de ter sido forçado a aceitar.

                Já atendi algumas pessoas que apresentavam esta dificuldade em engolir alimentos, após uma situação emocional, de ter que se submeter, aceitar contra a vontade, ter que fazer algo que não queria. Uma história recorrente é o fato de uma gravidez indesejada, aquela mulher engravida em um momento que não programou, e desta forma tem que engolir aquela situação, sem poder tomar qualquer outra decisão, a não ser aceitar. Isto pode desencadear uma dificuldade em engolir alguns determinados alimentos, claro que os sintomas desencadeados dependem da percepção dela durante o momento. Além da mãe, a criança também pode nascer já com esta característica de sintoma também, onde o alimento não irá descer, voltando o leite. Não necessariamente a situação possa ter vindo da gestação, mas dos primeiros dias ou meses de vida, onde a mãe possa viver algo com as pessoas ao redor, tendo que aceitar ter pessoas a auxiliando, como a sogra, onde ela não queria que estivesse ali, no pós-parto, mas tem que aceitar, e isto pode refletir também no bebê, que se alimenta de uma mãe, que não está à vontade naquele período.

                Outras situações comuns são de notícias que te pegam de surpresa, sem reação e ainda se obriga a aceitar, como uma demissão, palavras de críticas, um confrontamento durante um almoço, entre outras situações.

                Seguindo com o contexto de alimento, como já falei no artigo anterior, se você não o viu, Clique Aqui , o sabor do alimento é gravado através de um dos 5 sentidos, que reativa a frustração vivida. Por exemplo, se um bebê está no seio da mãe tomando leite, enquanto os pais têm uma discussão eufórica, aquele leite representa parte do contexto da frustração, desta forma, cada vez que ele se alimentar novamente, o leite, reativará a lembrança do estresse vivido, podendo desencadear o refluxo ou a queimação no esôfago. O mesmo pode ocorrer com bebês que ao nascer são retirados da mãe e levados para berçário ou para a UTI neonatal, e não podem receber o leite da mãe, neste momento eles são forçados a ingerir um leite, em pleno momento de frustração, sem estar seguro ao colo da mãe, isto pode fazer com que perante aquela fórmula específica de leite, apresentar o refluxo, e a outras fórmulas não.

             Mas isto não ocorre apenas nas crianças e bebês, há muitos adultos, que quando ingerem determinados alimentos desencadeiam refluxo, arrotos ou azia, desta forma, estes alimentos devem estar relacionados a situações prévias vividas, que podem ter sido frustrantes, nesta relação de ter que aceitar algo contra a vontade.

                Estes fatores desencadeadores de sintomas, fazem muitas vezes com que a alimentação se torne incômoda ou restrita, mas quando conseguimos resolver o conflito ou padrão inicial que desencadeou o sintoma, a pessoa ou criança volta automaticamente a comer normalmente.

 

Dr. Ivan Bonaldo
Crefito 8/99696-F
Idealizador do Congresso Internacional das Leis Biológicas
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