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Arrependimento

 

Em estudo publicado pela Revista Super Interessante do mês de maio, traz o relato de Bronnie Ware, que era enfermeira e tratava pacientes em estado terminal. Ela começou a observar um padrão em seus pacientes em torno dos arrependimentos relacionados às suas vidas, traçando cinco frases principais de arrependimentos relatados no leito de morte.

1 - “Eu gostaria de ter trabalhado menos”, corresponde a um desejo de muitas pessoas, independente de classe social e trabalho. O trabalho é de extrema necessidade para todos nós, pois ele é o que trás o sustento para que possamos viver e aproveitar a vida, e o que nos trás o sentimento de realização de nos vermos úteis, mostrando aos outros o que fazemos de melhor. Hoje em dia, tudo tem seu custo, para sair jantar, para ir ao cinema, fazer um churrasco, viajar, fazer academia, uma aula de dança. O dinheiro é algo extremamente necessário e indispensável. Sendo assim, o trabalho é importante para que possamos ganhar o dinheiro suficiente para podermos viver. Entretanto, muitas pessoas tornam-se escravas do trabalho, sempre na busca para provar que são capazes, ou em uma busca desenfreada para o sucesso. Acabamos não tendo tempo para descansar nossa mente, fazer exercícios para o nosso corpo e aproveitar a companhia de nossa família e amigos. Que o dinheiro é importante, isto é, mas temos que saber dar limites e ter um equilíbrio entre trabalho e nossa vida, para que não façamos como na frase de Dalai Lama que diz: “As pessoas perdem a saúde para juntar dinheiro, depois perdem o dinheiro para recuperar a saúde. E por pensarem ansiosamente no futuro, esquecem do presente de tal forma que acabam por não viver nem o presente nem o futuro, e vivem como se nunca fosse morrer, e morrem como se nunca tivessem vivido.”

2 - “Eu queria ter tido a coragem de viver a vida que eu desejava, e não a que os outros esperavam de mim”. Muitas pessoas buscam no olhar dos outros, reconhecimento, amor e elogios. Desta forma, acabam muitas vezes tomando decisões e fazendo coisas para os outros, com o objetivo de se sentirem inseridos a família ou a um grupo. Entretanto, nem sempre fazemos coisas que seguem nossos desejos e sonhos na vida. E muitos passam a vida toda vivendo a vida dos outros, ou para os outros e esquecem-se de dar tempo a si mesmos, descansar, praticar algum esporte, viajar para lugares que gosta. Há também aquele história, tão frequente antigamente, de casar com alguém, simplesmente por que os pais achavam um rapaz bom, mas onde o amor não existe. Viver mentindo para nós mesmos também nos faz adoecer. 

3 – “Eu queria ter expressado mais meus sentimentos”. Após situações de frustrações que acabamos vivendo em nossas vidas, nos tornamos em alguns momentos mais frios, com dificuldade em expressar ou receber o carinho e amor dos outros. Pois quando amamos alguém, podemos sofrer com a perda ou decepções, muitas vezes, nosso subconsciente acaba fazendo com que amemos menos, para não sofrer novamente as mesmas dores e sofrimentos. Sendo assim, passamos a não expressar totalmente os nossos sentimentos. Encontro isto frequentemente em relacionamentos entre pais e filhos, que por alguns motivos, muitas vezes até mesmo desconhecidos por eles, não conseguem dar um abraço acalorado uns nos outros, demonstrando todo o afeto que sentem, pois existe alguma barreira nestes relacionamentos. E muitos acabam percebendo isto apenas no leito de morte. 

4 – “Queria ter mantido contato com meus amigos”. Vivemos em sociedade a milhares de anos, e isto é extremamente importante para nossa sobrevivência, como dizem, “a união faz a força”, juntos aumentamos nossas forças e podemos ultrapassar quaisquer obstáculos. Mas o individualismo para muitas pessoas provoca um ar de superioridade nas relações entre indivíduos e faz afastar cada vez mais os relacionamentos. Sozinhos não chegamos a lugar algum, entretanto queremos nos fazer de fortes muitas vezes, que não precisamos de ninguém por perto, ao mesmo tempo, no fundo estamos gritando por um colo ou um ombro amigo que possa nos ouvir e dividir nossos medos e receios, mas não queremos ou não podemos assumir isto. Ao invés, nos escondemos no nosso cantinho, nos isolamos e nos frustramos sozinhos, nos sufocando em uma falsa ilusão, de que estamos bem, mas na verdade estamos bem tristes e abadonados.

5 – “Eu queria ter sido mais feliz”. Quem controla nossa vida, quem influencia nossas escolhas? Somos donos de nossos caminhos, e só depende de nós escolhermos os melhores caminhos para a nossa felicidade. Se as outras pessoas afetam nossa vida é por que permitimos isto e não tomamos o controle de nós mesmo. Podemos alcançar os objetivos que quisermos, mas depende única e exclusivamente de nós tentarmos alcança-los. Se não errarmos, não aprenderemos o que é bom ou ruim, errar faz parte do aprendizado, para chegar aos objetivos, mas se não tentarmos, ai sim que nunca chegaremos. A felicidade é encontrada dentro de nós, não podemos buscar nas outras pessoas. Se não fizermos nada para nós, nunca chegaremos a felicidade completa. 

 

Dr. Ivan Bonaldo

Fisioterapeuta especialista em Microfisioterapia

Clínica Ativa Terapias 

(46) 3025 5399