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Seu corpo tentando sobreviver e você não deixa?

 

Quantas vezes em sua vida, você já agiu por impulso, de forma agressiva, ou mesmo de forma a se sentir paralisado por uma situação. Ou de ouvir um barulho e já se esquivar ou iniciar uma fuga, pois pode ser um perigo, ou ainda, quando alguém está estressado a sua volta, você já fica armada(o), já deduzindo o que vai ocorrer?

Quando passamos por uma situação emocional que nos pega de surpresa e que não nos dá tempo para racionalizar, neste momento, nosso cérebro reage de forma instintiva, ou seja, nosso inconsciente vai buscar em suas memórias, situações parecidas, onde você teve uma ação eficaz para evitar a frustração, para que você possa reagir agora de forma mais rápida possível, pois se funcionou anteriormente, o cérebro entende que irá funcionar de novo, sempre com uma intenção de ganho de tempo, num objetivo de sobrevivência, pois biologicamente, se não estivermos preparados para o perigo, podemos morrer. 

Sempre temos dentro de nós programas com intenção ou sentido para resguardar a vida, ou manter a vida da espécie, sempre com a intenção do ser humano sobreviver ou ganhar um tempo a mais de vida. Sob uma situação de estresse o corpo reage instintivamente com uma forma de proteção, como por exemplo: se um animal passa por uma dificuldade, como um peixe do mar que é levado por uma onda, caindo na areia e a onda não puxa o peixe de volta, neste momento, este peixe está em perigo, pois com o sol forte, ele terá mais chances de desidratar, e isto levar a  falecer. É neste momento de estresse que um programa instintivo é iniciado, fora do campo de consciência, promovendo ao corpo do peixe uma retenção de líquido, por consequência um inchaço, como uma forma de proteção, desta forma, quanto mais líquido ele tiver dentro dele, mais tempo ele tem de sobrevivência, evitando a desidratação, dando a possibilidade de uma outra onda mais forte surgir,  que possa levá-lo de volta para o mar. 

Outro caso é o do urso, que no inverno hiberna, mas para se manter aquecido, seu corpo consome sua gordura, como fonte de energia, enquanto dorme. Esta falta de alimento, promove o funcionamento de um outro programa de sobrevivência, que diz a ele, que ao acordar, terá que absorver o máximo de alimento possível, guardando assim a gordura, para um próximo momento de perigo de faltar. 

Estas situações ocorrem assim como no mundo animal, com o ser humano também, por isto chamamos de um contexto biológico de aprendizado. Pois da mesma forma que quando o peixe se sente desprotegido e sem rumo, em que ele não pode fazer nada para se salvar, ocorre esta retenção de líquidos, quando nós passamos por situações de estarmos sem direção, sem saber que rumo tomar, ou somos levados foras de nossas fronteiras, para locais onde nos sentimos desprotegidos, podemos apresentar as retenções de líquidos, principalmente em tornozelos. Ou quando vivemos situações de perigos de falta, onde sofremos pela ausência de comida, podemos automaticamente dar início ao programa de sobrevivência de retenção de gordura, para que possamos ter uma chance a mais de sobreviver em uma próxima situação. Ou ainda, se passamos por situações de falta, podemos ter a tendência de sempre estocar mais alimentos do que o necessário, ou mesmo, ter que ter sempre uma reserva financeira, para que possamos nos sentir mais seguros. 

Estes programas são iniciados sem que tenhamos consciência e desejo de tê-los, por isto que muitos sintomas acabamos desenvolvendo, sem que tenhamos o conhecimento do motivo de eles estarem presentes, mas para nosso cérebro e corpo, todo e qualquer sintoma físico ou emocional tem um motivo para estar ali, pura e simplesmente para nos dar uma chance a mais de sobreviver perante a um episódio incômodo. Por isto, surge a necessidade de reagirmos rapidamente a um barulho, ou reagirmos agressivamente a um momento que me representa uma ameaça.

Você deve estar se perguntando agora, “eu tenho uma dor no ombro, qual o motivo que isto pode me levar a sobreviver?”. Eu te digo que, as dores musculares ou articulares, ocorrem após sairmos de um estresse, pois biologicamente, como em uma zebra fugindo de um leão, se ela tiver dor durante o momento que estiver fugindo, ela irá morrer, desta forma, quando ela estiver descansando, o corpo, agora sim, poderá se regenerar. Sendo assim, quando passamos por uma situação de estresse que perdurou por muito tempo, durante todo este tempo, o tecido do seu ombro esteve em tensão, para ser eficaz a proteger ou afastar alguém de perto de você, pois é para isto que o ombro muitas vezes serve. E após o momento de estresse, surge a necessidade da inflamação neste local, para que ele possa corrigir e reparar o tecido lesionado pelo tempo de estresse e aumentar ou melhorar a capacidade daquele tecido em te proteger em uma próxima situação.

É claro que estes programas foram instalados arcaicamente e de forma primitiva, sendo que hoje em dia, poderíamos ter outras soluções para evitar passar novamente por aquele perigo, como no caso de mulheres que antigamente, quando não havia camisinha e anticoncepcional, para evitar uma gravidez, brigavam com os maridos, assim eles não iriam querer nada com elas, ou na hora de dormir, iriam limpar a casa, passar roupa, pois assim, quando fosse dormir, o marido já estaria dormindo e não haveria a relação sexual que poderia trazer o risco de uma gravidez. Mas se na informação genética, você trouxe esta informação, que gravidez ou filhos são de alguma forma perigo, você pode instintivamente, sem intensão prévia, dar início a um programa arcaico, onde irá fugir do marido, mesmo hoje havendo outros meios de evitar uma gestação. Desta forma, o cérebro reage pelo que ele já conhece inscrito dentro dele, até que seja reinformada uma nova solução, ou mostrado para ele, que não há mais a necessidade do alerta. 

Nosso cérebro é cheio de processos, que agem de forma inteligente, para que possamos sobreviver ao mundo ao nosso redor. Para que possamos ter uma vida melhor, é de extrema necessidade entendermos o que nosso corpo quer nos dizer com os sintomas que aparecem, assim podemos enfim, lidar melhor com as situações e ter uma vida mais equilibrada, saudável e feliz. 

 

Dr. Ivan Bonaldo

Crefito 8/99696-F

Idealizador do Congresso Internacional das Leis Biológicas

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