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Somos a sombra de nossos pais

 

É muito engraçado quando no consultório chegam pais, trazendo seus filhos. Em muito casos podemos perceber como se houvesse um espelho que refletisse uma miniatura dos adultos ao lado deles. 

O pai chega com seu filho e reclama que ele é muito agitado, e ao observar o pai, ele não para de mexer as pernas e ficar andando para um lado e para o outro. 

A mãe traz a filha por ela ser muito compulsiva alimentar, e ao olhar para a mãe você observa uns quilos a mais.

Chega a haver mães que já vão falando, esta menina é uma diabinha, é muito brava, briguenta, altera a voz, isto sem perceber, que ela mesma esta alterando a voz para contar da filha. 

Ou mesmo, aqueles que falam que seu filho é briguento, que discute na escola, bate nos amigos, e você vê que o clima entre os pais não é nada pacífico. 

As crianças são o reflexo dos adultos com os quais convivem!! 

Já diz o biologista Bruce Lipton, que o ambiente interfere muitas vezes mais do que a genética. 

Mas o que isto quer dizer? 

As crianças são grandemente influenciadas pelos exemplos recebidos dos adultos, se eles fazem algo de errado, elas seguem, se eles brigam, elas se tornam agressivas também, se eles são ansiosos, passam para a criança a noção que o perigo ronda, então elas têm que estar alertas também. E se os adultos se permitem amar e ser amados, são carinhos, gentis, educados, como você acha que as crianças serão? 

Atendo crianças carentes há 10 anos, e o que eu mais ouço na instituição é que durante o ano, as crianças vão melhorando, ficam calmas, mais amorosas, mas após as férias de final de ano, volta tudo como antes, terríveis, briguentas, insuportáveis, “é como se nós perdêssemos, tudo o que conquistamos durante o ano!”, é o que dizem as professoras. 

Durante o ano, as crianças nestas instituições acabam não convivendo intensamente com o meio de vida familiar, pois vão à aula o dia todo, ficando pouco tempo em casa, mas nas férias, quando ficam 24 horas por dia em casa, em um ambiente de brigas, desunião, drogas e etc. faz com que elas se adequem ao ambiente. 

Quando o convívio é o oposto, com o carinho das professoras, o entendimento por parte delas, da vivência deles, o diálogo sem julgamentos, faz com que eles compartilhem mais suas dores, e fiquem mais aliviados aos estresses diários. 

Outra autora muito importante que fala sobre o contexto da influência dos pais nas atitudes e percepções das crianças é a Laura Gutman, que em seu Livro, Maternidade e o Encontro com a Própria Sombra, fala que o que os adultos escondem, acaba aflorando nas crianças. 

Sim, escondemos muitas coisas, escondemos nossas mágoas, nossas culpas, nossas reprovações, cobranças, medos e muito mais. 

Tudo aquilo que não tratamos em nós mesmos, acaba por aflorar em nossos filhos. 

Já vi muita mãe chegar no consultório, falando com uma voz quase inaudível, tentando se conter ao máximo, mostrando-se, ou melhor, tentando se mostrar calma com as palavras, mas sua expressão corporal, demonstrava a maior tradução de raiva. 

Quando somos crianças, nossa leitura dos adultos não é pela fala, mas sim pela expressão corporal que eles nos demonstram. Somos leitores dos movimentos do corpo. 

Neste momento, se a mãe demonstra algo que ela não é, a criança ligará um alerta, pois, se a mãe está estranha, está irritada, um problema pode estar para ocorrer, então eu tenho que estar armada também. 

Se o pai tem uma postura de medo, por mais que tente demonstrar o contrário, irá transferir para criança insegurança perante as situações. 

São por estas situações, que muitas vezes os adultos é que tem que estar equilibrados, para que as crianças possam estar tranquilas, em harmonia e saudáveis. Criança tem que viver a infância, e não estar armada, alerta e pronta para o perigo. 

Você já olhou para o que você esconde, para entender seus medos, suas raivas e angústias? 

Se não for para melhorar por você, que tal olhar para suas dores, para permitir que seus filhos sejam pessoas melhores? Logo pois, eles são o seu reflexo.

 

Dr. Ivan Bonaldo

Crefito 8/99696-F

Idealizador do Congresso Internacional das Leis Biológicas

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