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Somos escravos do medo

 

Desde os primórdios da Humanidade o medo tem sido usado como ferramenta para domar e ter o controle sobre o povo e prosperar. Os reis usavam do medo para assustar os camponeses e seus servos do mundo que havia para fora de seu reino, fazendo com que eles trabalhassem para eles e pagassem impostos desmedidos, em troca de uma falsa proteção. As igrejas falavam sobre o inferno e que o pecado era o destruidor da alma, que qualquer pessoa que saísse das normas, não iria para o céu. Os pais antigamente (mas até hoje em algumas famílias) mantinham uma cultura de assustar os filhos, falando “não vá lá que tem um bicho”, ou “o diabinho vai te pegar”. Criamos assim a cultura do medo.

O assustar muitas vezes também é visto como uma brincadeira que não faz mal a ninguém, “era só uma brincadeira para darmos risada”, acaba se tornando um grande pesadelo, para a pessoa que sofreu o processo, ainda mais, se esta pessoa é uma criança, desprovida de senso do real ou imaginário, transformando com a imaginação uma grande história assustadora em cima de uma “brincadeirinha” dos seus cuidadores. 

Por todos os medos passados e presentes, acabamos transbordando de inseguranças, travando nosso progresso de vida tranquila, para uma vida de caos e alerta, onde o perigo está ao lado em todo momento. Não podemos relaxar, temos que estar sempre armados, prontos para atacar ou fugir de uma possível ameaça eminente. E por muitas vezes acabamos fazendo tempestades em copo de água por coisas desnecessárias. 

E para aqueles que sabem mexer com os medos dos outros, nossa vida é um prato cheio, são acidentes, roubos, mortes, brigas, guerras, doenças e etc. Somos manipulados dia após dia pela mídia e por aqueles que têm interesse em nos controlar. Somos analfabetos intelectuais, acreditamos em tudo que falam para nós, sem buscar a informação a fundo. Compartilhamos informações pelas redes sociais, sem ao menos saber a veracidade do assunto, e acabamos divulgando inverdades políticas, sociais, culturais e científicas que colaboram para a mentira ser instalada no cérebro das pessoas, causando por consequência um falso medo sobre uma falsa realidade, que acaba por consequência aterrorizando a todos. 

Na área da saúde muitas são as inverdades científicas distribuídas aos quatro ventos, que após anos são realmente confirmadas como erradas ou inventadas. Entretanto, estas falsas afirmações já foram parar em livros e artigos por pura hipótese, e após isto perdurarão por anos com pessoas acreditando naquilo que estava escrito. Muitos artigos têm vindo à tona também com manipulações de resultados, alegando tratamentos milagrosos, que na prática não respondem a 10% do que se previa. Ou colocando perigo exagerado em problemas que não trazem grandes riscos. Acabamos sendo suscetíveis a falsas formas de tratamentos, que acabam se tornando verdades absolutas e por fim nos provocam resultados negativos. E novamente acreditamos em informações equivocadas, que não nos trazem benefícios.

A internet está sendo cada vez mais uma vilã, apresentando muitos erros e mentiras, como curiosos que somos, vamos cada vez mais pesquisar sobre as doenças que temos, acabamos novamente acreditando no que vemos, e o medo nos toma conta. É medo em cima de medo e vemos o pânico chegar e tomar conta. E desta forma, no fechamos cada vez mais ao mundo, pois o mundo é um lugar perigoso de se viver. Somos escravos dos nossos medos. 

Temos de nos libertar de nossas amarras, erguer a cabeça e enfrentar as limitações. Saber o que é verdadeiro ou não, o que faz sentido ou não nas histórias contadas, e não apenas acreditar no que Fulano ou Ciclano disse. Somente assim poderemos saber o que é positivo ou não para nós, e cada vez seguir mais o que nos faz bem. O que te faz bem?

 

Dr. Ivan Bonaldo

Crefito 8/ 99696-F

Fisioterapeuta Especialista em Microfisioterapia e Nova Medicina Germânica

www.ativaterapias.com.br