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Relação Pais e Filhos, a barreira invisível

 

 

Tenho observado com muita frequência no consultório e no meio social uma série de histórias se repetindo, famílias atrás de famílias, com problemas de relacionamento entre pais e filhos. Problemas de brigas, desentendimentos e rupturas. Cada vez há menos diálogos e mais discussões, e aquele ambiente de família toda junta reunida, quase não existe mais. 

Na experiência que tenho tido com os atendimentos, venho observando alguns padrões que acabam se repetindo, desde pais que não têm mais tempo para seus filhos e filhos que não têm mais tempo para seus pais, até heranças familiares que acabam por deixar fortes marcas na relação pais/filhos. 

Com as cobranças do dia a dia, profissão, rotina, dinheiro, os pais têm buscado trabalhar cada vez mais, e acabam não tendo mais tempo de descanso e de se divertir. Acabam ficando muito tempo na rua e no trabalho e quando chegam em casa não sobra tempo para conversar ou brincar com os filhos. As conversas são sempre prestando a atenção em duas, três ou quatro coisas ao mesmo tempo, e não dando a devida atenção a quem precisa dela, que são os filhos. É claro que há trabalho doméstico a ser feito, entre outros cuidados, mas temos de saber o que podemos ou não sacrificar para a união da família, para não haver arrependimentos posteriores. 

As crianças não são muito diferentes, acabam sendo treinadas a prestar mais atenção na televisão, computador, tablet, vídeo game, celular, do que na conversa e conselhos dos pais. E assim, aumenta-se cada vez mais a distancia entre a família.

Mas um problema a ser corrigido antes mesmo desta fase de relacionamento é a relação hereditária adquirida pela vivência de nossos antepassados. Muitos de nós nem sequer imaginamos a carga que recebemos de nossos ancestrais, que acabam refletindo diretamente em nosso comportamento, fazendo com que muitas vezes ajamos por impulso em cima de situações, de forma explosiva, ansiosa ou mesmo através dos medos exagerados. 

Podemos citar diferentes situações que acabam influenciando nestes comportamentos, como avós que casaram contra a vontade, permanecendo uma sensação de submissão na relação, tendo a mulher ou o homem a ceder perante a relação sexual e mesmo a ter filhos com um homem ou mulher que não ama. Isto pode dificultar a relação intraconjugal dos filhos e netos, com seus parceiros, assim como dificultar a aceitação de seus filhos. Como os avós viam o relacionamento como uma ameaça, isto é passado geneticamente, fazendo com que os descendentes, fiquem em estado de alerta perante aos seus cônjuges, como se houvesse um perigo de reviver o que os antepassados viveram, agindo muitas vezes de forma agressiva com o outro ou de forma ansiosa em casa. Pode influenciar também a relação com os filhos, pois para os avós em seu relacionamento, os filhos eram vistos como problemas, frutos daquele relacionamento mal aceito, e isto muitas vezes são passados para as próximas gerações como gestações sendo problemas, ou seja, filhos sendo problemas. Assim, cria-se uma barreira no relacionamento, com uma dificuldade de aceitação entre os pais e filhos, em alguns casos, chegando até mesmo ao fato de um ser do contra ao outro, não aceitando nada perante o pai ou a mãe, em compensação, podemos observar que a criança aceita bem mais o pai ou mãe que não traz esta herança.

Existem também situações onde a mulheres passavam por perigos de vida durante a gravidez ou no parto, fazendo com que no subconsciente grave a relação de que gestação representa um perigo de vida, sendo assim, o filho representa o perigo, e desta forma há uma rejeição inconsciente ou mesmo consciente aos próximos filhos, e estes próximos filhos levam esta rejeição as suas gestações e assim por diante, criando uma série de conflitos de dificuldade nos relacionamentos entre os pais e filhos, que muitas vezes não são entendidos pelas pessoas que vivem a situação. 

Há também situações onde a mães passam por aborto ou natimorto, onde há um sofrimento intenso no sentido de impotência em proteger o filho da morte. Nestes casos, ocorre, muitas vezes, uma hiperproteção da mãe ou pai aos próximos filhos, entretanto, nem sempre estes filhos se sentem a vontade com esta proteção exagerada, fazendo com que quanto mais os pais apertam ou tentam segurá-los, mais eles se afastam. 

Estas heranças que nossos antepassados viveram acabam por influenciar diretamente nossa relação maternal ou paternal, provocando barreiras no relacionamento com filhos e conjugues, gerando muitas vezes um estado de guerra em casa. Mas quando tomamos consciência do problema que estamos carregando, e corrigimos através de alguns métodos, podemos construir um ambiente mais harmônico e feliz dentro de nossos lares. Não deveria haver ambiente melhor de que nosso lar, com nossa família, lugar aconchegante, tranquilo e harmonioso. Nem sempre é fácil conquistar este ambiente ideal, mas depende de nós abrirmos os olhos para nossas limitações e irmos atrás do que possa nos auxiliar na busca desta realização. Que todos tenham um bom equilíbrio em casa. 

 

Dr. Ivan Bonaldo

CREFITO 8/99696-F

Fisioterapeuta especialista em Microfisioterapia e Nova Medicina Germânica

(46) 3025 5399

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