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Você está pronto para a ação?

Em uma atividade laboratorial promovida por Henri Laborit, estudioso sobre o comportamento animal e humano, foi colocado um rato numa gaiola com um chão metálico. As saídas estavam todas fechadas, impedindo a saída do local. Repetidas vezes, após um sinal luminoso ou sonoro, o rato recebia uma descarga elétrica nas patas, através do chão. Rapidamente o rato adotava uma posição de inibição da ação, ou seja, ficando prostrado encolhido e com os pelos eriçados. Conforme o estudo se repetia, ocorria um fenômeno de memorização de modo que, depois de algumas repetições, o animal ativava automaticamente o seu sistema de inibição da ação, quando era ligado o sinal luminoso ou sonoro, que antecipava o choque. Esta situação acabou gerando no rato sintomas como aumento da pressão arterial, assim como úlceras estomacais.

Utilizando da mesma situação da gaiola, agora resolveu-se abrir uma porta de saída da gaiola com chão metálico, para uma outra gaiola que não continha este tipo de piso no chão e por consequência não produziria o choque, como se fosse uma opção de fuga. Um outro rato em pouco tempo aprendeu a evitar os choques, ou passar para a outra gaiola, logo que aparecia o sinal luminoso ou sonoro, isto foi denominado de reação da ação. Isto permitiu com que o evento não alterasse o organismo do animal. 

Em outra experiência, voltou a se fechar a porta entre as duas gaiolas, e na gaiola com chão metálico foi colocado dois ratos dominantes e repetiu-se o processo de sinal de alerta com luz ou som e em seguido o choque elétrico. Os dois ratos que não podiam fugir, lutavam quando recebiam o choque. No entanto, no fim de oito dias, verificou-se um estado de saúde superior ao precedente. Foram castigados, lutaram, porém não apresentavam graves sinais de desgaste. 

Este estudo permite a nós perceber que quando passamos por uma situação de estresse, instintivamente podemos apresentar três formas de reações principais: fugir, atacar, ou permanecer em uma impotência. Lembrando que nada é ruim, tudo irá depender do estado e momento que estivermos, em cada momento uma ou outra situação pode ser necessária. Por exemplo, se cachorro feroz e grande tentar me atacar, o melhor as vezes é fugir, isto pode me salvar a vida. Ou se estiver encurralado contra o muro e uma pessoa vier querer me bater, talvez o melhor seja atacar. Ou ainda se quatro pessoas armadas vierem me assaltar e eu não tenha com que me defender, o melhor seja ficar parado e sem reação, para evitar uma consequência pior, que poderia ser a morte. 

Segundo o estudo, é claro que podemos perceber que a inibição da ação, ou seja, estar estagnado, paralisado, impotente perante uma situação acaba por ser mais frustrante ao nosso organismo, tanto na mente como no corpo. Pois nós, seres humanos, quando permanecemos em uma inibição, temos a tendência de ficar remoendo o ocorrido e sofrendo por antecipação, quanto ao fator de medo, de que possa ocorrer a situação novamente. Isto faz com que conservemos o medo, a ansiedade ou a raiva do ocorrido, mantendo assim o estresse por mais tempo, o que acaba por levar a sintomas físicos. 

Se vocês perceberam bem, os sinais de alerta se tornaram extremamente importantes para que os ratos antecipassem o perigo, e isto ocorre muitas vezes em nossas vidas também, como: nas pessoas que entram em pânico ao ver uma nuvem de chuva, pois já passaram por um grande temporal; ou que ao entrar no carro passam mal, pois já viveram um problema dentro daquele ambiente; ou um olhar de uma pessoa já as deixa em estado de alerta, desencadeando uma ansiedade ou irritabilidade, pois olhar lembra uma outra pessoa que olhou da mesma forma para ela, em uma momento ruim; ou ainda, quando se teve um relacionamento anterior ruim e ao entrar em um outro relacionamento, fica armada(o) com medo de sofrer novamente, e não se permite relaxar; entre outras inúmeras outras histórias. Os sinais estão por toda a parte, e fazem com que permaneçamos sempre esperando os problemas acontecerem novamente, mas nem sempre o que já passou irá ocorrer de novo, e enquanto não deixamos o estresse do passado para trás, deixamos de viver o agora e estar relaxados e tranquilos para aproveitar o momento. Se permita fugir de alguns problemas que não têm importância, se permita falar sobre o que lhe incomoda, dentro do possível, e use do passado como um aprendizado para evoluir, e não uma ancora que impede você de seguir o seu caminho. 

 

Dr. Ivan Bonaldo

Crefito 8/99696-F

Fisioterapeuta Especialista em Microfisioterapia e Nova Medicina Germânica. 

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