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Cólicas menstruais e sua origem emocional

 

Cólicas menstruais denotam perdas e impotências em proteger. Algumas meninas podem desenvolver desde a menarca, quando a causa é intrauterina

Este tema chegou a ser considerado como algo normal aos olhos das mulheres, de tão comum chega a não ser mais uma queixa no consultório, eu acabo tendo que perguntar se há sintomas no período menstrual, e as pacientes ainda respondem “ah eu achei que toda mulher têm cólica, por isto não falei!”, mas não, isto não é uma verdade, nem toda mulher têm cólicas, sendo assim, não é padrão a todas, e se não é padrão, é disfunção. Tanto é que muitas das mulheres que já atendi, pararam de apresentar este sintoma após a sessão. 

As cólicas menstruais não são disfunção em geral de início físico, por ter ovário policístico ou endometriose e etc. Na verdade este sintoma é muitas vezes vindo simultaneamente de uma outra causa original ou primária. Por isto que muitas vezes as mulheres tomam o anticoncepcional e o sintoma alivia, mas quando param de tomar, o sintoma tende a voltar, pois há algo por trás do sintoma, que é a situação emocional que preconizou a disfunção. 

Uma das principais causas de cólicas menstruais são as perdas e as impotências em proteger ou cuidar dos meus próximos. Já atendi várias mulheres que vieram a ter cólicas após a perda de um dos pais, avós ou mesmo de um filho, seja após um aborto, ou após a criança já ter nascido. Os conflitos de perda, geram uma disfunção direta nos ovários, promovendo o sintoma em seguida. Para aquelas mulheres que tiveram uma sensação de incapacidade em reter uma gestação, onde houve um aborto, a musculatura lisa do útero pode também gerar uma disfunção, que irá produzir contrações como uma tentativa de melhorar sua capacidade de retenção, ou de segurar uma próxima gestação, fazendo-a ficar mais forte.

Uma das situações clássicas que encontro nestas questões de impotências, são as crianças que presenciam sua mãe doente ou em perigo perante uma discussão mais acalorada com outra pessoa. Existiam muitas situações antigamente, onde o pai era alcóolatra e a mãe para proteger os filhos enquanto eles fugiam para o mato, confrontava o pai, e as crianças antes de fugir acabavam vendo uma cena de ameaça ou de ataque, que acabavam por gerar um medo real de perigo de vida à mãe. 

Quando as mulheres vivem uma situação antes mesmo de começarem as menstruações, o sintoma de cólicas pode começar desde a menarca. Neste caso podem ocorrer em crianças que vivenciam uma morte muito cedo, de uma avó, um colega ou mesmo de um animal de estimação. E quando esta situação é muito intensa, acredita-se que acaba até mesmo provocando o início precoce das menstruações, como no caso de crianças que começam a menstruar com 9 ou 10 anos de idade. 

Ainda no caso de mulheres que apresentam cólicas desde as primeiras menstruações, elas não necessariamente tem que ter vivido a perda em vida fora da barriga da mãe, mas por exemplo, quando a mãe vivencia uma perda de um parente muito próximo durante a gestação daquela menina, esta pode iniciar as menstruações já com cólicas; ou quando a mãe vivencia um sangramento durante a gestação causando medo de perder o bebê, ou que tem que ficar de repouso, pois falam a ela que há um risco de morte, o medo de uma morte eminente pode muitas vezes já ativar a fragilidade, seja por medo de perder ou de não ser capaz de reter aquele feto. 

Se você tem cólicas menstruais tente então recapitular sua vida e lembrar de quando isto começou a ser presente em sua vida e o que pode ter ocorrido logo anteriormente, que possam ter desencadeado este sintoma, desta forma você pode tentar entender se o medo era teu ou de sua mãe e se você ainda precisa carregar esta frustração de perda. Se você já aceitou esta perda que passou, este passado já pode ficar para trás, pois a partir do momento que você aceita a perda e para de se cobrar por suas impotências em não ser capaz de proteger os outros, o sintoma não terá mais necessidade de estar presente. 

 

Dr. Ivan Bonaldo

Crefito 8/99696-F

Idealizador do Congresso Internacional das Leis Biológicas

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