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As memórias emocionais do corpo

 

Sem emoções, a vida não teria nenhum sentido. Sem amor, beleza, justiça, verdade, alegria, tristeza, honra, temor, nossa vida seria uma monotonia. Entretanto, estas sensações são as fontes de nossas memórias, tanto boas, quanto ruins.

A memória é a capacidade de adquirir, armazenar e evocar informações disponíveis. Segundo o ex-diretor da Clínica de Trauma Psicológico de Harvard, o neurocientista e psiquiatra Bessel van der Kolk, “uma memória de trauma é uma informação a respeito de um caso que ficou trancado no sistema nervoso quase que em sua forma original”. As imagens, sons, odores, sensações físicas, emoções, pensamentos, crenças que frequentemente nos envolvem, estão estocados em uma rede neural que, segundo ele, tem vida própria. Ainda segundo Kolk, as memórias podem ser reativadas a menor lembrança do trauma original, por ela estar impressa no cérebro emocional, desconectada do nosso conhecimento racional, tornando-se um pacote de informações não processadas e disfuncionais.

As memórias podem ser acessadas de qualquer de seus constituintes. Por exemplo, o odor de perfume de uma ex-namorada pode ser suficiente para que toda a memória dessa pessoa volte. Pois ao contrário dos computadores que precisam de equivalentes exatos, a recuperação da memória procede por analogia, portanto, qualquer coisa que venha nos lembrar, mesmo que vagamente, de algo que passamos, pode trazer de volta a memória.

Isto é de grande importância quando falamos em memórias traumáticas, pois qualquer imagem, som, cheiro, emoção, pensamento ou sensação física pode trazer à tona toda a memória disfuncional guardada de um evento. 

Em minha experiência clínica pude presenciar vários exemplos destes, que vem desde pessoas que não suportam o natal, que apresentam alergias na primavera, que tem aversão a determinados animais, que simplesmente odeiam o verão ou o inverno, que sentem dores específicas enquanto trabalham com determinadas pessoas, entre muitas outras.

Mas não estou aqui para dizer que as memórias são ruins em sua totalidade, pois sem elas não conseguiríamos ter experiências para evoluir e sobreviver no mundo em que vivemos. São elas que nos deixam mais fortes para podermos superar novos obstáculos que possam surgir. Entretanto, não podemos nos deixar vencer pelos traumas, e sabendo a existência deles nos deixar ser dominados pelo sofrimento e dificultar nossa qualidade de vida. 

Uma das táticas que podem auxiliar a reprocessar estas lembranças, é o fato de ao momento que a lembrança voltar a cabeça por alguns dos sentidos ter reativado a história traumática vivida, tentar refletir sobre o assunto, constatando que aquela situação já passou, que ela o fez progredir em alguns processos, que lhe trouxe aprendizados, que te fez crescer como pessoas, que aquela pessoa que lhe fez mal, ou aquele problema que você viveu já faz parte do passado, que não há mais a necessidade de ficar ligado a ele, que hoje você entendendo o que passou, agora pode lidar de forma diferente a situação ou se proteger de forma melhor. 

 

 

Dr. Ivan Bonaldo

Crefito 8/99696-F

Idealizador do Congresso Internacional das Leis Biológicas

http://www.leisbiologicas.com